Os 21 títulos de Grand Slam de Rafael Nadal – Parte 1

Ele conseguiu, após uma batalha que durou mais de 5 horas e meia, Rafael Nadal derrotou o número 2 do mundo Daniil Medvedev e novamente mostrou toda sua mágica para o mundo do tênis. Um fato impressionante, até mesmo para os padrões do veterano de 35 anos. Foi sua 21ª vitória de Slam, se tornando o maior de todos os tempos no tênis masculino moderno e em sua mais inesperada conquista da carreira.

Mesmo sem a presença de Novak Djokovic — que teve toda uma novela com o governo australiano que terminou com o sérvio sendo deportado e tendo seu visto revogado —, Nadal era pouco cotado a vencer o torneio com seu adversário da final sendo o amplo favorito, sendo seguido de perto por Alexander Zverev e até mesmo Stefanos Tsitsipas.



Isso porque, Rafa só havia completado apenas 5 partidas desde sua última participação em Roland Garros em junho do ano passado por conta de sua já conhecida lesão crônica no pé (síndrome de Müller-Weiss), que botou até mesmo a carreira do jogador em risco. Além disso, durante sua preparação para o Australian Open, Nadal foi diagnosticado com COVID-19 e precisou interromper os treinamentos para se recuperar da doença.

Baseado nesse feito, essa semana teremos dois artigos onde iremos revisitar todos os 21 títulos do rei do saibro. Sem mais delongas, vamos ao início dessa primeira parte!

1) O primeiro de muitos: Roland Garros 2005

A longa jornada que um dia levaria Rafa ao topo começou há mais de quinze anos – e você provavelmente sabe onde: em Paris e nas famosas quadras de terra avermelhada de Roland Garros.

Na época, sendo um prodígio do esporte com apenas 19 anos, o espanhol teve um crescimento significativo em sua performance e ia para a sua primeira participação na histórica competição. Com seu longo cabelo e a faixa na cabeça, teve uma participação exemplar derrotando Roger Federer na semifinal para enfrentar depois o argentino Mariano Puerta na final.

Seu adversário levou o primeiro set no tiebreak (8-6), mas Nadal virou o jogo levando a melhor nos 3 sets seguintes para levantar seu primeiro grande troféu. Com este feito Rafa se tornou o primeiro jogador a vencer em Roland Garros em sua estreia desde Mats Wilander em 1982 e também o mais jovem campeão (19 anos) desde Michael Chang em 1989.

Mesmo com todo o talento, ninguém poderia imaginar que esse seria o início de uma das maiores carreiras da história do esporte.

Placar Final: Nadal derrota Puerta por 3 a 1, parciais de 6/7(6/8), 6/3, 6/1 e 7/5.

2) O Bicampeonato: Roland Garros 2006

Desta vez, mais estabelecido no circuito e agora sendo ranqueado na segunda posição do ranking mundial, Rafa começava a ameaçar os maiores tenistas do planeta não só no saibro, mas também em quadras de outras superfícies. No entanto, se tornava cada vez mais evidente o domínio do espanhol nas quadras de Paris.

Como defensor do título, Rafa viria a enfrentar um de seus maiores rivais na final, o suíço Roger Federer que na época era disparadamente o número 1 do mundo, sendo uma força dominante e considerado por muitos como invencível. Os dois primeiros sets foram massacres impostos por ambos os lados com placar de 6/1.

Na volta, Nadal venceu o terceiro set de maneira tranquila e partiu para o 4º servindo pela partida. No entanto, Fed quebrou o serviço do espanhol, forçando o tiebreaker. Nadal venceu, levou o bicampeonato e se tornou o primeiro homem a conseguir derrotar Federer em uma final de Grand Slam.

Placar Final: Nadal derrota Federer por 3×1, parciais de 1/6, 6/1, 6/4 e 7/6(7/4).

3) A trilogia: Roland Garros 2007

Retornando para a sua terceira participação no Slam da França, Nadal já era tido como uma força dominante no circuito, com duas conquistas em Roland Garros, tendo alcançado a final de Wimbledon no ano anterior e mantendo sua posição de número 2 no mundo – atrás apenas de seu rival Federer.

Pelo terceiro ano consecutivo, Rafa provou estar acima de seus adversários quando o “assunto” é a terra batida das quadras de Paris. Sem dificuldades, o espanhol foi atropelando os rivais até à final, onde reencontrou Federer. O suíço que havia levado a melhor sobre o rival nas quadras de grama de Wimbledon, até tentou, mas não foi páreo para ‘El Toro Miúra‘ e sucumbiu novamente por 3×1.

Esta foi a terceira participação de Nadal em Roland Garros, onde garantiu seu terceiro título, tendo derrotado o melhor tenista do mundo em 2 ocasiões.

Placar Final: Nadal derrota Federer por 3×1, parciais de 6/3, 4/6, 6/3 e 6/4.

4) Dominante: Roland Garros 2008

A essa altura, já havia caído a ficha para a grande maioria dos tenistas que cair com Rafael Nadal no seu lado da chave classificatória significava que você já poderia começar a arrumar as malas e se preparar para a temporada de grama.

Em sua quarta participação em Roland Garros, Nadal não deu a menor chance para nenhum de seus adversários, nem mesmo a Roger Federer que viria a enfrentar o espanhol pela 3ª vez seguida na final da competição.

A edição de 2008, talvez tenha sido uma das performances mais dominantes da carreira de Rafa, já que todas as suas partidas foram verdadeiros atropelos – ele não perdeu nenhum set – e na final ele conseguiu aplicar a pior derrota do suíço em uma final de Slam.

Em apenas 1 hora e 48 minutos – a final mais curta de um French Open desde 1977 -, Nadal foi impecável para demolir seu rival por 6/1, 6/3, 6/0, aumentando sua marca para 28 vitórias e 0 derrotas, além de se igualar ao sueco Bjorn Borg com quatro títulos consecutivos em Roland Garros.

Placar final: Nadal derrota Federer por 3×0, parciais de 6/1, 6/3 e 6/0.

5) O maior de todos os tempos: Wimbledon 2008

Vivendo a expectativa de se mostrar um dos maiores tenistas do mundo não só no saibro, Nadal havia batido na trave nos dois anos anteriores, tendo conseguido alcançar a final do charmoso torneio de Wimbledon, porém saindo derrotado nas duas oportunidades pelo seu rival Roger Federer.

O espanhol vinha em grande confiança de que esse ano poderia ser diferente devido a sua performance avassaladora em Roland Garros e pelo título do Stella Artois Championship, a sua primeira conquista em um torneio realizado em quadras de grama. Do outro lado, Federer vinha do seu 5º título do Halle Open sem perder nenhum set e tinha como objetivo buscar a sua 6ª conquista em Londres.

O aguardado confronto se tornou um clássico do tênis, sendo até a edição de 2019 a final mais longa da história da competição. Em um total de 4 horas e 48 minutos, Nadal derrotou o maior jogador de grama de todos os tempos em sua própria superfície e em seu torneio de Slam mais bem-sucedido, encerrando assim a sequência de 41 vitórias consecutivas de Federer em Wimbledon.

Hoje, esse confronto é aclamado como a maior final da história do torneio, com alguns críticos e analistas até mesmo chamando-a de a maior partida de todos os tempos. Essa final viria a ser o ponto de partida para que Nadal tomasse a posição de número 1 do mundo do suíço, além de também marcar a ascensão do espanhol como um tenista all-court que viria a dominar o restante do circuito.

Placar final: Nadal derrota Federer por 3×2, parciais de 6/4, 6/4, 6/7(5/7), 6/7(8/10) e 9/7.

6) A conquista na Austrália: Australian Open 2009

2008 havia sido um ano estelar para o espanhol, que havia não só conquistado seu 4º título em Roland Garros, como também havia finalmente derrotado seu maior rival em seu palco preferido para conquistar o 5º título de Grand Slam e também destroná-lo do topo do ranking mundial se tornando o novo número 1 do mundo.

No começo de uma nova temporada no Australian Open, Nadal venceu suas primeiras cinco partidas sem perder nenhum set até encontrar seu compatriota Fernando Verdasco em uma semifinal espetacular. O embate se tornou a segunda partida mais longa da história da competição com 5 horas e 14 minutos de jogo, onde Rafa saiu vencedor por 3×2.

Na final, mais um capítulo de uma das maiores rivalidades da história. O primeiro encontro entre Nadal e Federer em uma quadra dura de um torneio Grand Slam. Os dois rivais haviam se enfrentado em 6 finais de Slams, com o espanhol levando a melhor em 4 oportunidades.

E mesmo após ter passado por uma semifinal exaustiva, Rafa foi capaz de mais uma vez derrotar o suíço, dessa vez em 5 sets para conquistar seu primeiro título Slam em uma quadra dura,se tornando o primeiro espanhol a vencer o Aberto da Austrália e alcançando a marca de 6 conquistas de Grand Slams com apenas 22 anos de idade.

Para Federer, a derrota é até hoje considerada como uma das mais devastadoras de sua longa carreira e o suíço chegou até mesmo a chorar durante a entrega dos troféus, mostrando-se muito emocionado com a perda.

Placar final: Nadal derrota Federer por 3×2, parciais de 7/5, 3/6, 7/6(7/3), 3/6 e 6/2.

7) Revanche contra Soderling: Roland Garros 2010

Depois de vencer o Australian Open pela primeira vez e contra seu maior rival, todos esperavam que Rafa continuasse o ano dominando as quadras do circuito, no entanto, ele acabou tendo uma queda significativa de rendimento não indo bem em nenhum dos Slams seguintes.

Com as lesões voltando a afetá-lo junto ao cansaço, o espanhol perderia pela primeira vez em Roland Garros na quarta rodada do torneio para o sueco Robin Soderling, um fato que chocou todos os fãs do atleta. Nadal também não participaria de Wimbledon por lesão e acabou caindo para Juan Martín del Potro no US Open em uma sonora derrota em 3 sets para fechar um ano de tanta expectativa em grande desilusão.

Na temporada seguinte, ainda por conta de lesão, Rafa precisou abandonar e não defendeu o título do Australian Open. Mas em seu retorno às quadras, o Rei do Saibro começaria a escalada do que ele considera ter sido o melhor ano de sua carreira.

Em Roland Garros, a expectativa era de um mais um encontro entre Roger Federer e o ‘El Toro Miúra‘ na final. Porém o suíço acabou caindo para o futuro finalista da edição, Robin Soderling. Em uma revanche da eliminação no ano anterior, Nadal conseguiu sua vingança derrotando o sueco em 3 sets, garantindo assim o seu sétimo título de Grand Slam e o retorno ao topo do ranking da ATP.

Placar final: Nadal derrota Soderling por 3×0, parciais de 6/4, 6/2 e 6/4.

8) Derrubando a zebra: Wimbledon 2010

De 2006 a 2011, o maior jogador de saibro da história tentou masterizar seu jogo na grama conseguindo alcançar cinco finais em seis possíveis em Wimbledon e vencendo o título em duas oportunidades. Em 2010, Nadal precisou lutar para sobreviver em jogos de cinco sets na segunda e terceira rodada do torneio enfrentando o holandês Robin Haase e o alemão Philipp Petzschner.

Na sequência, uma vitória tranquila sobre o francês Paul-Henri Mathieu que o levou a mais um encontro contra o sueco Soderling, dessa vez nas quartas de final. Rafa até perdeu o primeiro set, mas se recompôs e virou a partida em 3×1. Nas semis, enfrentando o favorito dos fãs Andy Murray, o espanhol não deu chances e venceu por 3×0.

Já a final, foi protagonizada com o tcheco Tomáš Berdych, que havia chocado o mundo do tênis depois de ter eliminado em sequência os dois membros restantes do Big Three. Primeiro Roger Federer por 3×1 nas quartas e depois Novak Djokovic por 3×0 na semifinal. Mesmo trazendo uma grande confiança devido ao seu desempenho no torneio, Berdych não foi páreo para o número 1 do mundo e sucumbiu em duas horas de jogo.

Placar final: Nadal derrota Berdych por 3×0, parciais de 6/3, 7/5 e 6/4.

9) Primeira final de Major contra Nole: US Open 2010

Nadal culminou seu melhor ano – seu único com três títulos de Slam – ao derrotar o cara que assumiria o esporte em 2011. No primeiro do que seriam muitos encontros entre o espanhol e o sérvio entre finais de Majors, Nadal em um ano espetacular acabou levando a melhor.

Enquanto Djokovic teve que sobreviver a duas partidas de cinco sets (incluindo um vitória histórica na semifinal sobre Federer), Rafa chegou a final sem perder nenhum set e com uma caminhada bem mais tranquila e menos exaustiva do que seu rival. Em melhor fase, o número 1 do mundo controlou o jogo e sagrou-se campeão em 4 sets.

A conquista serviu para Nadal completar o Career Grand Slam — vencer todos os quatro torneios majors na carreira — e também se tornou o segundo atleta masculino a alcançar o Career Golden Slam, quando além dos títulos de majors, o atleta também conquista uma medalha de ouro nas Olimpíadas (venceu em Beijing 2008).

Com este feito, o espanhol também se tornou o primeiro atleta masculino a vencer um Grand Slam em todas as superfícies (saibro, grama e quadra dura) em um mesmo ano e o primeiro a conquistar o French Open, Wimbledon e o US Open em um único ano desde o lendário tenista Rod Laver em 1969.

Placar final: Nadal derrota Djokovic por 3×1, parciais de 6/4, 5/7, 6/4 e 6/2.

10) Novo capítulo da rivalidade contra Federer: Roland Garros 2011

O que prometia ser mais uma temporada gloriosa para Rafa depois de 2010, ano em que ele havia vencido 3 dos 4 Grand Slams, se transformou em um pesadelo, devido à ascensão de Novak Djokovic que esteve muito próximo de ser invencível em 2011.

No entanto, em Roland Garros foi Federer quem derrotou Djokovic na semifinal da competição, acabando com a longa e impressionante sequência de 41 vitórias seguidas do sérvio, e selou outro confronto com o espanhol na final de Paris.

O suíço havia vencido Nadal duas vezes no saibro, mas a final de 2011 foi o momento em que ele esteve mais próximo de concluir essa façanha na França. Federer estava liderando por 5/3 no primeiro set, voltou de uma quebra duas vezes no segundo e uma vez no terceiro, mas ainda assim só conseguiu vencer apenas um desses três sets e acabou por finalmente cair no quarto. Dessa forma, mais uma vez o ‘Rei do Saibro‘ prevaleceu e conquistou seu sexto título do Aberto da França.

Essa foi a última final francesa de Federer, enquanto Nadal viria a conquistar mais sete títulos.

Placar final: Nadal derrota Federer por 3×1, parciais de 7/5, 7/6(7/3), 5/7 e 6/1.

Por hoje, ficamos com os primeiros 10 títulos de Grand Slam do ‘Rei do Saibro‘, Rafael Nadal. Em nosso próximo artigo, revisitaremos cada uma das conquistas restantes que levaram o espanhol até o seu 21º título de Major.

Até a próxima, pessoal!

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