Os 21 títulos de Grand Slam de Rafael Nadal – Parte 2

Rafael Nadal é o campeão do Australian Open 2022 depois de uma vitória épica por 5 sets contra o russo Daniil Medvedev no último final de semana. Com a conquista, o espanhol se tornou o primeiro atleta masculino da história do tênis a alcançar 21 títulos simples em torneios de Grand Slams, um a mais do que seus maiores rivais, Novak Djokovic e Roger Federer.

Aproveitando o momento em volta da vitória de Rafa, resolvemos revisitar a carreira desse lendário jogador e lembrarmos todas as 21 conquistas de Major do ‘El Toro Miúra‘. Você pode conferir a primeira parte desse artigo clicando no link ao lado: Os 21 títulos de Grand Slam de Rafael Nadal – Parte 1.



11) Primeira final no saibro contra Novak: Roland Garros 2012

Na edição de 2012 do Aberto da França, Nadal entrou defendendo o seu bicampeonato sem grandes problemas, perdendo apenas 30 games contra os seus primeiros 5 oponentes. Na semifinal contra o compatriota David Ferrer, outra vitória tranquila para garantir a final contra Novak Djokovic. Essa foi a primeira vez na história em que dois adversários se enfrentaram de maneira consecutiva em quatro finais de Grand Slams.

Para Djokovic, essa era a chance de se tornar o primeiro atleta masculino a conquistar quatro slams de maneira consecutiva em 43 anos, desde Rod Laver em 1969. Nole havia conquistado o torneio de Wimbledon e o US Open em 2011, assim como o Australian Open de 2012 e em todas essas finais, o derrotado tinha sido Nadal.

Na partida, o espanhol levou a melhor no início, vencendo os dois primeiros sets até que o sérvio se recuperou conquistando o 3º e levava a melhor no 4º. No entanto, o clima ruim e a chuva tomaram conta e causaram a suspensão da partida até o dia seguinte. No retorno do jogo, Rafa conseguiu ser superior e fechou a partida em 3×1.

Essa foi a 4ª derrota de Djokovic para Nadal em uma final de Roland Garros, mas também foi a primeira vez em que o sérvio conseguiu vencer um set contra o espanhol no torneio. Enquanto para o rei do saibro, essa vitória interrompeu a sequência negativa de 3 derrotas para o rival em finais de Majors.

Placar final: Nadal derrota Djokovic por 3×1, parciais de 6/4, 6/3, 2/6 e 7/5.

12) O retorno: Roland Garros 2013

Na segunda etapa de 2012, Nadal passou por um momento delicado na carreira após uma lesão no joelho que o forçou a abandonar o restante da temporada, assim como a sua presença no Australian Open de 2013. Com essa ausência, o espanhol viu sua posição no ranking cair para número 4do mundo, a primeira vez em 8 anos em que Rafa não terminava o ano na posição número 1 ou número 2.

Muitos consideravam que poderia ser um ano difícil para o atleta devido ao tempo parado longe das quadras pelas lesões e como seria a sua volta aos principais torneios do circuito. No entanto, retornando de maneira gradativa, ele demonstrou voltar as suas performances competitivas ao conquistar o Brasil Open, o Mexican Open, o Indian Wells, o Barcelona Open e o Madrid Open.

No Aberto da França, a caminhada até a final pode ser considerada mais difícil do que o confronto do título. Nadal passou por Fabio Fognini, Kei Nishikori, Stan Wawrinka e teve uma ‘final antecipada’ de cinco sets (quase 5 horas de partida) contra Novak Djokovic na semifinal. Uma longa e complicada jornada que o levou até o espanhol David Ferrer, mas seu compatriota não estava a altura e sucumbiu numa final para lá de tranquila e bem diferente do que foram as partidas anteriores do Rei do Saibro.

Placar final: Nadal derrota Ferrer por 3×0, parciais de 6/3, 6/2 e 6/3.

13) A revanche contra Nole: US Open 2013

Quando Nadal chegou ao US Open de 2013, faziam 3 anos que ele não conquistava um Grand Slam sem ser nas quadras de saibro de Roland Garros. Tendo ficado de fora da edição de 2012 por conta da lesão no joelho, seu retorno às quadras de Slam dos Estados Unidos seria a oportunidade perfeita para fazer o diferente e foi exatamente isso que o espanhol fez.

Perdendo apenas um set durante toda a sua caminhada até a final, e buscando vingança após ter saído derrotado por Djokovic na final de 2011, Nadal conseguiu mais uma vez uma revanche contra seu arquirrival vencendo-o em quatro sets e assegurando o seu segundo título do US Open e o 13º geral.

Placar final: Nadal derrota Djokovic por 3×1, parciais de 6/2, 3/6, 6/4 e 6/1.

14) 10 anos de títulos: Roland Garros 2014

2014 também foi um ano duro para Nadal no sentido de lesões, tendo enfrentado uma lesão nas costas, outra no pulso e lidado com apendicite. Durante o Australian Open, o espanhol alcançou a final do torneio, mas infelizmente acabou lesionando as costas durante o seu aquecimento. Rafa até tentou, mas com o problema se agravando e sem estar 100%, ele acabou saindo derrotado pelo suíço Stan Wawrinka.

No entanto, ele conseguiu se recuperar a tempo de competir em seu principal palco. Nas primeiras 4 partidas, o Rei do Saibro não perdeu sequer um set e na sequência despachou David Ferrer nas quartas e atropelou o britânico Andy Murray na semifinal. No confronto do título, uma nova revanche contra Novak Djokovic, que vinha de quatro vitórias seguidas contra o espanhol e parecia cada vez mais próximo do título no Aberto da França.

No entanto, nada feito. Nole até venceu o primeiro set e parecia levar vantagem, mas Nadal virou o jogo, venceu 14 dos últimos 20 games e faturou o seu 9º título do Aberto da França se tornando o primeiro tenista masculino a vencer pelo menos 1 torneio Grand Slam durante 10 anos seguidos.

Para completar, o espanhol entrou nesta edição com o recorde de 59 vitórias e apenas 1 derrota. Ao final do torneio, seu recorde foi elevado para 66 vitórias, no que foi o seu 5º título consecutivo da competição.

Placar Final: Nadal derrota Djokovic por 3×1, parciais de 3/6, 7/5, 6/2 e 6/4.

15) La Decima: Roland Garros 2017

Depois de um longo período de dois anos sem conquistar qualquer torneio Slam, um intervalo tomado por lesões, derrotas inesperadas, problemas de confiança e resultados muito abaixo do esperado, até mesmo os torcedores mais fanáticos do espanhol começavam a se questionar se o tenista conseguiria retornar a sua melhor forma física e voltaria a disputar os principais títulos do circuito contra seus rivais.

Em 2016, Rafa teve sua temporada encurtada por conta de uma lesão no pulso e chegou em 2017 tentando ressurgir em quadra após dois anos de grande queda em seu rendimento.

No Australian Open de 2017, um momento especial foi retomado contra seu maior rival, Roger Federer – que também passava por uma fase de ressurgimento espetacular. Alcançando a final de um Slam pela primeira vez desde o título do French Open em 2014, Nadal enfrentou o maestro suíço e mesmo tendo saído derrotado daquela final, foi o suficiente para retomar sua confiança e voltar ao desafio de vencer um Major.

Motivado, “El Toro Miúra” chegou em Paris massacrando todos os adversários que passaram pelo seu caminho em busca da tão sonhada ‘La Decima‘. Seu desempenho na competição foi uma das melhores de sua carreira, perdendo apenas 35 games em 7 partidas e até mesmo o campeão de 2015, Stan Wawrinka não teve a menor chance de vitória contra o Rei do Saibro, que levantou pela décima vez o título do torneio e ao final do ano retornaria para a posição de número 1 do mundo pela primeira vez desde 2013.

Placar Final: Nadal derrota Wawrinka por 3×0, parciais de 6/2, 6/3 e 6/1.

16) Temporada Brilhante: US Open 2017

Depois de uma eliminação precoce na quarta rodada do torneio de Wimbledon, Rafa partiu para o US Open como um dos cabeça de chave do evento. Sem a presença de Novak Djokovic e Andy Murray que não participaram do torneio por conta de lesões e com Federer caindo nas quartas de final, muitos consideram que a participação de Nadal no US Open de 2017 teve uma caminhada bem mais tranquila do que costuma ter.

De fato, seu adversário mais difícil na competição foi o argentino Juan Martín del Potro na semifinal. Após sair perdendo o primeiro set, Nadal virou o jogo não permitindo qualquer reação do adversário. Já na final contra o sul-africano Kevin Anderson, o espanhol controlou bem a partida e assegurou seu terceiro título do Slam norte-americano.

Placar final: Nadal derrota Anderson por 3×0, parciais de 6/3, 6/3 e 6/4.

17) Primeiro embate contra Dominic Thiem: Roland Garros 2018

Nadal iniciou sua participação no Aberto da França sem surpresas atropelando seus adversários sem perder nenhum set até as quartas de final. Seu adversário dessa fase, o argentino Diego Schwartzman até conseguiu vencer o primeiro set se tornando o primeiro tenista a fazer isso contra o espanhol no torneio desde Djokovic em 2015. Mas não foi o suficiente já que ele perderia os 3 sets seguintes.

Nas semis foi a vez de Juan Martín del Potro sucumbir novamente e na final se encontrou com Dominic Thiem, o único tenista a ter vencido Nadal em quadras de saibro em 2017 e 2018. Mesmo com esse ótimo histórico, ele despachou o austríaco em três sets, sem nunca ter demonstrado qualquer chance do adversário se recuperar e sem perder mais do que 4 games em um set para conquistar o seu 11º título do French Open.

Placar final: Nadal derrota Thiem por 3×0, parciais de 6/4, 6/3 e 6/2.

18) A revanche de Thiem: Roland Garros 2019

Por vezes o esporte pode ser muito injusto. O que dizer então do Tênis? O circuito amplamente dominado pelo Big Three, formado por Rafael Nadal, Roger Federer e Novak Djokovic, exigia que seus adversários fossem esplêndidos e perfeitos para serem capazes de conquistar qualquer taça frente à eles.

Desde o Australian Open em 2003, o Big Three tem dominado o cenário masculino do tênis tendo capturado 61 títulos de Grand Slam dos 76 disputados nesse período. Apenas alguns poucos jogadores conseguiram o feito extremamente difícil de ter vencido um Major durante o mesmo período desses lendários jogadores.

E infelizmente para Dominic Thiem, esbarrar em Nadal no auge pode ser um pesadelo. Provavelmente em algum universo alternativo em que o espanhol não existisse, talvez o austríaco tivesse alguns títulos de Roland Garros em sua sala de troféus, mas esse claramente não é o caso.

A jornada de Thiem até a final da edição de 2019 foi de bastante provação, tendo enfrentado Pablo Cuevas, Gael Monfils, Karen Kachanov e uma semifinal absurda contra Novak Djokovic por 3×2. Na final contra Nadal, a disputa esteve bastante acirrada até o fim do 2º set, que foi vencido pelo austríaco. No entanto, a partir daí foi um massacre que Thiem com certeza nunca irá esquecer.

Placar final: Nadal derrota Thiem por 3×1, parciais de 6/3, 5/7, 6/1 e 6/1.

19) O 4º título de Slam em solo norte-americano: US Open 2019

O US Open se tornou o segundo torneio mais bem-sucedido de Nadal após ele conquistar pela quarta vez o título da competição. Enfrentando o jovem Daniil Medvedev – que havia se aproveitado da derrota de Federer e do abandono de Djokovic para avançar no torneio – em sua primeira final de Grand Slam, Rafa começou tomando o controle da partida vencendo os dois primeiros sets.

Após a pausa, o russo de 23 anos encontrou seu jogo, deu tudo de si equilibrando a partida e conseguindo empatar o placar vencendo o 3º e 4º sets. Medvedev até esteve bem próximo de chocar o mundo se tornando uma grande zebra na competição. Entretanto, Nadal após quase cinco horas de partida retomou o controle na etapa final, fechou em 5/4 e levantou o título que o aproximou do recorde de 20 troféus de Grand Slams de Roger Federer.

Placar final: Nadal derrota Medvedev por 3×2, parciais de 7/5, 6/3, 5/7, 4/6 e 6/4.

20) Se juntando a Federer: Roland Garros 2020

A história continua a ser escrita por um dos maiores tenistas da história. O ano de 2020 se provou como um ano excepcional e muito longe do que se imaginava que fosse. Isso, é claro, por conta da pandemia de COVID-19 que assolou o mundo com as milhões de mortes, os meses de quarentena e confinamento em casa e as restrições de segurança estabelecidas pelos países na tentativa de controlar o avanço da doença.

Toda essa situação afetou completamente as temporadas de todos os esportes e principalmente os atletas que com os torneios suspensos e sem um calendário precisaram se redobrar para manter o condicionamento físico e a performance em alto nível.

Falando em Roland Garros, pela primeira vez na história, o evento foi realizado no mês de Outubro com um número bastante reduzido (1000 pessoas) na arquibancada. Apesar de muitas dúvidas sobre sua forma e como as novas condições e regras poderiam afetar o torneio e seu jogo, Rafa triunfou novamente em Paris.

Sem perder um set durante toda a competição, o espanhol levantou pela pela décima terceira vez o caneco ao vencer o número 1 do mundo e seu rival, Novak Djokovic em três sets. Foi uma prestação impecável de Rafa para empatar com Federer no recorde de 20 títulos de Grand Slams.

Placar final: Nadal derrota Djokovic por 3×0, parciais de 6/0, 6/2 e 7/5.

21) Recorde Histórico: Australian Open 2022

Como mágica, a final do Australian Open de 2022 pode ser considerada uma das vitórias mais épicas e inesperadas da carreira de Rafael Nadal. O espanhol precisou passar por muita coisa só para poder estar presente no torneio.

Desde a derrota na incrível semifinal de Roland Garros para Novak Djokovic em 2021, passando pela desistência de participar do torneio de Wimbledon e das Olimpíadas com a justificativa de calendário apertado até o retorno famosa lesão crônica no pé que o afastou das quadras na metade final do ano, Rafa ficou muito tempo parado e ainda foi diagnosticado com COVID-19 durante a preparação para a volta em 2022.

Ele até mesmo admitiu em entrevista que estava feliz apenas por conseguir participar do torneio em Melbourne, já que havia passado meses duvidando se conseguiria retornar ao alto nível por conta dessa lesão e acreditando que esse talvez fosse o fim de sua carreira. E mesmo sem a presença de Djokovic, deportado após ter seu visto cancelado e sem Federer se recuperando de lesão, mesmo que os olhos estivessem voltados para o espanhol, ainda assim ele não era considerado o favorito a levantar o troféu.

Na final contra Medvedev, enfrentando um atleta 10 anos mais novo, próximo de seu auge, que havia conquistado recentemente o US Open contra o número 1 do mundo e saindo em desvantagem perdendo os dois primeiros sets, é extremamente difícil imaginar que alguém conseguisse escapar da derrota. Mas estamos falando de Rafael Nadal e foi exatamente isso que ele conseguiu.

Superando todas as adversidades, Rafa imprimiu uma grande pressão no russo, virou o jogo e de maneira magistral sagrou-se campeão do torneio que ele só havia vencido apenas uma vez e há 13 anos atrás. Essa é provavelmente a vitória mais impressionante e improvável da carreira de Nadal e nada menos fantástico do que poderíamos imaginar do atleta que agora coloca-se sozinha no topo dos maiores vencedores de Grand Slams da história do tênis.

Placar final: Nadal derrota Medvedev por 3×2, parciais de 2/6, 6/7, 6/4, 6/4 e 7/5.

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