Os melhores do ano do Tênis – Retrospectiva 2021

2020 foi de longe um dos piores anos para o tênis em toda a sua história devido a pandemia de COVID-19 que assolou o mundo por completo. Sem ter opção por conta das medidas de restrição e quarentena para deter o avanço do vírus, as entidades e as federações do esporte precisaram cancelar ou adiar praticamente todas as competições dos circuitos.

Felizmente 2021 chegou e com ele vieram as vacinas que serviram para diminuir o impacto da doença, o número de mortes e como proteção para toda a população. Embora muitos ainda vejam a imunização como algo arbitrário e desnecessário — estamos de olho, viu senhor Novak Djokovic? — grande parte da sociedade aderiu ao movimento e com isso pudemos voltar aos poucos a uma vida mais próxima da normalidade no qual estávamos acostumados.

Dessa forma, à medida em que a situação se acalmava gradualmente e o planeta podia voltar a ser parcialmente como era antes, o mundo do tênis também se recuperou rapidamente pudemos acompanhar um ano para lá de excitante e emocionante com a volta dos circuitos e dos Grand Slams.

Foram um número considerável de momentos memoráveis na temporada de 2021 do circuito de tênis. Um ano que começou preocupante com os problemas no Australian Open, mas que deu uma guinada com a tentativa histórica do Golden Slam de Novak Djokovic, que se transformou numa tentativa de Calendar Slam interrompida pelo triunfo de Daniil Medvedev no US Open. Por falar no Slam norte-americano, o que dizer da trajetória fantástica do título de Emma Raducanu?

Essas e outras memórias que compuseram os melhores momentos da temporada e dos melhores do ano de 2021 que iremos lembrar neste texto. Acompanhem conosco essa retrospectiva!



Caos no Australian Open

Como começar falando de 2021 sem mencionar os problemas ocorridos no Australian Open? O Grand Slam estava marcado para começar no dia 18 de janeiro, mas Melbourne se tornou um epicentro na segunda onda da doença no país. Isso forçou o governo a impor duras restrições e uma quarentena que atrasou o torneio em três semanas.

A situação foi agravada com pelo menos 72 jogadores impedidos de deixar seus quartos por duas semanas após a detecção de casos de coronavírus em seus voos para o país. Com os atletas presos nos hotéis por cerca de 21 dias, as reclamações tomaram conta da mídia especializada, com relatos de quartos transformados em verdadeiros centros de treinamentos, seguido de reclamações sobre as comidas disponibilizadas e dos moradores que não gostaram da movimentação dos esportistas.

Também houve acusações de tratamento preferencial depois que um grupo seleto – incluindo Novak Djokovic, Serena Williams, Naomi Osaka e Rafael Nadal – foi autorizado a voar para Adelaide, onde puderam desfrutar de melhores instalações, como quartos com varandas.

No final, a competição foi

Certamente, esse foi um dos torneios de tênis mais inusitados da história. Vamos torcer para que em 2022, o cenário seja bem mais tranquilo em solo australiano.

Retorno de Roger Federer às quadras

Raramente é possível acompanhar tanta apreensão à caminho de uma partida de um torneio ATP 250 como foi em fevereiro em Doha, quando Roger Federer fez o seu tão aguardado retorno ao circuito. Todos os olhos dos fãs mais apaixonados pelo tênis estava no confronto deste contra o britânico Dan Evans, na expectativa de como seria a performance do maestro suíço, se ele conseguiria retornar ao auge e se esse poderia ser o início de uma caminhada que o levaria a mais uma conquista de Grand Slam em Wimbledon.

Foi a primeira partida de Federer em 405 dias, desde o Australian Open de 2020 e sua performance foi encorajadora, derrotando Evans em três sets. Na entrevista pós-jogo, o suíço disse que estava “incrivelmente feliz” com o retorno e a partida, porém saiu derrotado do torneio no jogo seguinte, perdendo para o georgiano Nikoloz Basilashvili.

Em seu retorno aos Grand Slams, Federer avançou até a quarta rodada no Aberto da França, no entanto decidiu abandonar a competição citando problemas em seu joelho.

Em Wimbledon, aos 39 anos conseguiu alcançar as quartas de final do torneio se tornando o tenista mais velho da história da Era Aberta a alcançar tal feito. Contudo, ele saiu derrotado pelo polonês Hubert Hurkacz nas quartas de final em dois sets. Esta foi a primeira vez em 19 anos em Wimbledon que ele perdeu em dois sets, e apenas a segunda vez que ele perdeu um set por 6-0 no século 21 (a outra ocasião foi contra Rafael Nadal na final de Roland Garros em 2008).

Logo depois, Federer anunciou que iria passar por mais uma cirurgia no joelho por conta de lesões e problemas recorrentes e por isso ficaria de fora pelo resto do ano. Desde então, tem se recuperado para tentar voltar em 2022. Torcemos muito para que ele consiga voltar para uma “última dança”.

Osaka abandona o Aberto da França

Naomi Osaka colocou sua saúde mental em primeiro lugar no Aberto da França quando anunciou que não participaria de coletivas de imprensa, pois de acordo com a própria tenista esses eventos a desgastavam e não faziam bem para ela. Esse foi o estopim para uma grande polêmica ao redor do tratamento da mídia para com os atletas e vice-versa.

E embora a declaração de Osaka tenha sido um grande momento para ela e também um grande momento para o tênis por conta das discussões que essa atitude levantaram, também foi uma grande provação para a japonesa. Embora ela tenha sido amplamente apoiada por outras estrelas do esporte, houve reações mistas à conduta da atleta com parte do público e da imprensa acreditando que essa era uma parte importante do trabalho que Osaka deveria aceitar, sendo obrigada a participar das coletivas de imprensa.

Pelo menos foi como as organizações responsáveis pelos torneios de Slam‘s se sentiram quando divulgaram uma declaração conjunta ameaçando a japonesa com desqualificação e banimento de eventos futuros se ela não revertesse sua decisão. Sem muito para onde correr, Naomi decidiu abandonar o torneio e a sequência do ano foi dura para a japonesa.

Sem participar de Wimbledon para ficar com a família, ela sofreu queda precoce nas Olimpíadas de Tóquio e no US Open, onde em ambas as competições era uma das favoritas. Ela acabou vendo seu rendimento em quadra em queda livre e isso só deteriorou ainda mais seus problemas de saúde mental.

Torcemos para que em 2022, Naomi consiga retornar da melhor maneira possível.

Naomi Osaka finds peace and happiness after coaching split

O embate do Ano entre Nadal e Djokovic em Roland Garros

Novak Djokovic e Rafael Nadal participaram em Roland Garros do que para muitos foi a maior e melhor partida de tênis do ano e da temporada.

Os dois lendários rivais estavam disputando um dos encontros mais importantes de suas carreiras com o espanhol buscando mais um título no Aberto da França, enquanto Djokovic queria provar que podia jogar de igual para igual contra o rei do saibro e se vingar da final da edição de 2020 do torneio. Os dois haviam acabado encerrar um eletrizante tiebreak no terceiro set que levou a multidão de 5.000 espectadores a aplaudi-los de pé quando um elemento de fora da equação pareceu que iria atrapalhar o espetáculo.

Isso porque o governo francês havia imposto um toque de recolher no país após as 23h. Dois dias antes, nas quartas de final contra Matteo Berretini, Djokovic viu o público ser retirado das arquibancadas e novamente esse risco era discutido pela organização do evento. Enquanto Novak e Rafa se preparavam para começar o quarto set, parecia que um dos encontros mais importantes da história do tênis seria decidido em um estádio silencioso.

No entanto, em uma grande reviravolta, os oficiais responsáveis pela competição anunciaram que o público estava autorizado a permanecer no estádio pois as autoridades locais reconheceram às circunstâncias especiais que cercavam a partida – sem mencionar a possibilidade real e o medo de que um tumulto acontecesse caso os espectadores fossem solicitados a se retirar.

De toda maneira, a decisão de colocar esse evento como exceção se mostrou extremamente acertada. Muita coisa estava em disputa nesse embate. Nadal buscava aumentar seu recorde de títulos de Grand Slam para 21 e adicionar mais uma “La Coupe des Mousquetaires” para casa. Enquanto Djokovic tentava se aproximar do recorde de seus rivais (Nadal e Federer) e se vingar da final da edição de 2020 do torneio provando que poderia jogar de igual para igual contra o “rei do saibro”.

Quanto a partida, foram quatro sets em mais de quatro horas de disputa que foram vencidos pelo sérvio em 3-6, 6-3, 7-6(4) e 6-2. Uma partida memorável, com ralis espetaculares e com um incrível duelo tático por trás da emoção em quadra. Um feito histórico e gigantesco por parte de Djokovic já que essa foi apenas a terceira derrota de Nadal no saibro francês, sendo a segunda para rival sérvio.

Essa final antecipada contra Nadal pavimentou o 19º título de Djokovic que venceu de virada o grego Stefanos Tsitsipas.

A busca pelo Golden Slam e a conquista do 20º título Novak Djokovic

No ano de 2021 do circuito masculino não se falou em outra coisa: A jornada de Novak Djokovic em busca do sonhado Golden Slam, um feito que nenhum tenista masculino conseguiu alcançar – apenas a alemã Steffi Graf alcançou tal feito. À medida em que as competições iam avançando, Djokovic ia se destacando parecendo que ficava melhor a cada Major.

Tudo começou em Melbourne, onde Nole fazia a defesa do título. O sérvio teve duros combates contra Milos Raonic, Alexander Zverev e Daniil Medvedev e mesmo com uma leve lesão no abdômen saiu com o triunfo. Em Roland Garros, depois de vários sustos contra Lorenzo Musetti e Matteo Berrettini, teve o embate do ano contra Rafael Nadal e conseguiu uma excelente virada em cima de Stefanos Tsitsipas para conquistar o troféu.

Em Wimbledon, caminho mais fácil com Djoko perdendo apenas dois sets em toda a competição. Mas ai vieram as Olimpíadas e a medalha de ouro parecia ser o objetivo central do sérvio que optou por participar do torneio de simples e de duplas mistas – uma decisão que aparentemente deu muito errado, pois ele saiu derrotado das semifinais por Alexander Zverev e depois abandonou a decisão pelo 3º lugar das duplas mistas por uma lesão.

Sem trazer qualquer medalha para casa, a atenção do número 1 do mundo se voltou ao último major do ano, onde poderia completar o Calendar Slam. No US Open, ficou nítido que o fracasso em Tóquio estava pesando, assim como o cansaço da temporada. Mesmo com toda a pressão evidente e todos os olhares no tenista, ele conseguiu alcançar a final ao derrotar Zverev em outra partida histórica, mas na final contra Medvedev, ele novamente caiu.

O fato de Novak ter conseguido chegar tão próximo de dois feitos gigantescos não deve ser apagado, e as lágrimas no final só confirmaram o quanto ele batalhou durante esse ano e o quanto ele é competitivo e quer sempre se manter no topo.

Djokovic é hexa em Wimbledon e iguala os 20 slams de Federer e Nadal -  11/07/2021 - UOL Esporte

Grandes emoções em Tóquio

Sempre que estamos próximos das Olimpíadas a mesma questão é levantada pela mídia especializada em tênis: “O quanto as medalhas significam para os jogadores?” Para alguns tenistas e ex-profissionais, o evento nunca terá o mesmo tamanho e importância que os quatro torneios majors, para outros, não há nada melhor do que poder representar seu país e poder ouvir o hino nacional no lugar mais alto do pódio.

No entanto, os protocolos rígidos em Tóquio, que se tornou um epicentro da pandemia no país, mais a adição do calendário extremamente apertado, significava que o grande evento teria dificuldades de atrair os principais jogadores do topo do ranking mundial, mas aqueles que estiverem presentes acabaram mostrando o valor de se ganhar uma medalha.

Como citamos acima, Novak Djokovic, por exemplo, fez questão de competir no simples e nas duplas mistas. No final, o sérvio demonstrou ter ficado muito chateado por não ter conseguido conquistar uma medalha, enquanto do outro lado, Alexander Zverev se emocionou duas vezes. A primeira por ter conseguido derrotar o melhor do mundo e depois por ter alcançado a tão sonhada medalha de ouro para a Alemanha. No evento feminino, quem se emocionou muito foi a suíça Belinda Bencic que figurou no topo do pódio.

Take Five: Zverev, Bencic win Tokyo 2020 Olympic singles gold - Official  Site of the 2021 US Open Tennis Championships - A USTA Event

Medvedev conquista seu primeiro Major

Em toda sua carreira, Novak Djokovic tem construído rivalidades épicas principalmente com seus outros companheiros de Big Three (Roger Federer e Rafael Nadal), no entanto com uma nova geração de estrelas surgindo, o sérvio têm enfrentado novas ameaças e nenhuma delas parece ser maior do que o russo Daniil Medvedev. E 2021 veio para provar isso.

Em janeiro, na final do Australian Open, Nole sofreu mais do que esperava para alcançar a final da competição, enquanto Medvedev vinha de uma sequência de 20 vitórias seguidas. Muitos apostavam que poderia ser o grande momento do tenista russo dar o próximo passo na carreira. No entanto, Nole mostrou porque Melbourne é a sua segunda casa e venceu com maestria.

Meses depois, eis que os dois voltam a se encontrar, dessa vez na final do US Open. Com muita coisa em jogo e muita pressão de ambos os lados, foi a vez do russo de ajustar sua estratégia e de maneira impecável desbancar o melhor jogador do mundo em três sets consecutivos.

A vitória foi talvez ainda mais notável pelo resultado que impediu Novak de capturar todos os quatro Grand Slams em uma única temporada. Para Medvedev, além de ter tirado um coelho da cartola vencendo o sérvio, ele também finalmente conseguiu retirar a pressão e o peso das costas com esse primeiro grande título.

Ele é claramente o segundo melhor jogador de “Hard court” do mundo atrás de Djokovic, mas em Nova York ele foi o melhor.

O conto de fadas de Emma Raducanu no US Open

Se essa história fosse contada em um filme, muita gente iria acha-la incredível e fora da realidade. Uma jovem atleta inexperiente de apenas 18 anos, ranqueada apenas como nº 150 no mundo e competindo pela primeira vez no US Open enfrenta uma outra jovem de 19 anos – Leylah Fernandez -, nº 73 no ranking na final da competição e triunfa se tornando a primeira atleta vindo das qualificatórias a ganhar um título de Grand Slam.

Adicione a essa novela as origens das duas atletas, Raducanu nascida em Toronto com família romena e chinesa, mas representando o Reino Unido enquanto Fernandez com seus pais do Equador e das Filipinas representando o Canadá.

Mas tudo isso não foi um filme. Foi a realidade que felizmente todos acompanhamos em Nova York, onde as duas adolescentes cresceram de maneira gigantesca e se tornaram duas grandes sensações do tênis feminino enquanto continuavam a ganhar rodada após rodada até de fato se encontrarem na final do último Slam do ano.

A trajetória de Raducanu ao título com 11 partidas desde o início da qualificação até o momento em que levantou o troféu sem perder um set, nunca foi feito por ninguém antes e provavelmente não será feito novamente tão cedo.

A maneira como ela melhorou seu jogo nas fases finais do torneio – e manteve a calma quando o mundo inteiro estava assistindo à final – foi tão impressionante e sugere que há muito mais por vir da agora número 1 britânica.

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